quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

O Médico e o Xamã ou a Instrumentalização da estética indígena para validar uma intervenção médica.

 

https://www.doctorswithoutborders.org/latest/shaman-and-doctor-together-three-years-care-yanonami-indigenous-land


Há vários anos venho trabalhando e discutindo como antropólogo as possibilidades de "integração" ou "articulação", como enfatiza a PNASPI, entre os cuidados de curas tradicionais indígenas e os serviços oficiais de saúde em meus artigos e publicações. Porém, eu não posso ficar em silêncio ao ler esta notícia. Gostaria de compartilhar com você alguns pontos sobre este texto intitulado: "Xamã e médico, juntos", publicado por Médicos Sem Fronteiras (MSF), pois apresenta superficialmente um relato de sucesso em “sensibilidade cultural” de 16 de dezembro de 2025

[https://www.doctorswithoutborders.org/latest/shaman-and-doctor-together-three-years-care-yanonami-indigenous-land].

No entanto, após uma leitura crítica desta reportagem, o texto revela-se uma peça clássica de marketing humanitário que instrumentaliza a estética indígena para validar uma intervenção externa, deixando de reconhecer as assimetrias de poder e as incompatibilidades epistemológicas entre a “medicina de emergência” ocidental e as cosmologias tradicionais. Seguem abaixo os pontos centrais desta crítica, baseada na premissa de que a organização carece das bases profundas necessárias para sustentar tais alegações.

1. A Romantização da "Integração", "Articulação" (Xamã e Médico)
O texto vende a imagem de uma simbiose harmoniosa entre a medicina biomédica e o xamanismo ("Xamã e médico, juntos"). No entanto, para uma organização definida por sua natureza emergencial e temporária (o texto cita um projeto de apenas três anos), essa "integração" é, na melhor das hipóteses, uma coexistência paralela e, na pior, uma cooptação estratégica. O texto celebra o fato de os Yanomami realizarem o ritual Xapori e depois consultarem um médico. Isso não é integração médica; é triagem. A medicina ocidental continua sendo apresentada como a "solução definitiva" e a autoridade técnica, enquanto o xamanismo é reduzido a "conforto espiritual" ou a uma etapa processual tolerada para garantir a adesão ao tratamento biomédico.

A compreensão dos sistemas de cura xamânicos exige décadas de imersão antropológica e convivência. Uma organização que opera em regime de "chegada e partida rápida" carece da substância cultural necessária para reivindicar uma verdadeira troca de conhecimento. O uso de "antropólogos" citados no texto serve mais como uma aparência de legitimidade do que como garantia de paridade ontológica.

2. A Construção Errônea da "Saúde Mental Indígena"

Talvez o ponto mais crítico seja a imposição de categorias psiquiátricas ocidentais às populações indígenas. O texto cita com orgulho "psicoeducação", "primeiros socorros psicológicos" e "consultas individuais".

O sofrimento atual dos Yanomami deriva da invasão territorial, da contaminação por mercúrio e da violência sistêmica (mineração ilegal). Ao tratar a angústia resultante como uma questão de "saúde mental" a ser resolvida em "consultas individuais" ou grupos de apoio, a organização despolitiza a dor. Ela transforma uma catástrofe coletiva e cosmológica em uma patologia individual tratável com as ferramentas da psicologia ocidental.

O conceito de um "mental" ou "psique" separado do corpo e do território é estranho a muitas cosmologias indígenas. Aplicar a "psicoeducação" (educar a psique) pode ser visto como uma forma de neocolonialismo subjetivo, onde o indígena é ensinado a sofrer "à maneira ocidental", ignorando que, para muitos desses povos, a doença individual é um desequilíbrio do mundo/floresta, e não uma disfunção neuroquímica ou emocional individual.

3. A Lógica da Eficiência versus o Tempo da Cultura

O texto é obcecado pelas métricas de eficiência típicas de relatórios de doadores: "redução de 20%", "5.582 membros alcançados", "transição tranquila".

Essa linguagem gerencial expõe a natureza do projeto: uma intervenção técnica de curto prazo. Culturas milenares não se "integram" a sistemas biomédicos em 36 meses. A alegação de ter "aprendido sobre doenças espirituais" em tão pouco tempo soa como arrogância institucional. O texto trata a cultura Yanomami como um software que precisava de uma atualização (conscientização sobre malária) para funcionar melhor, em vez de como um sistema de conhecimento soberano.

4. O Marketing da "Transição Responsável"

O artigo conclui focando-se na "saída" e na "transição", admitindo implicitamente a falta de raízes locais da organização. A crítica reside no fato de a organização usar a imagem do indígena (fotos coloridas, danças, rituais) para angariar fundos globalmente, mas sua estrutura não permite a permanência que garantiria uma verdadeira defesa do território. "Transição" muitas vezes significa devolver a responsabilidade a um sistema estatal (DSEI) que já estava falhando, deixando para trás apenas "lições aprendidas" e panfletos, sem alterar a estrutura de vulnerabilidade.

Enfim, essa peça publicitária é eficaz em acalmar a consciência dos doadores ocidentais, criando uma fantasia de cooperação intercultural. No entanto, ela encobre a realidade de que as intervenções humanitárias de emergência são estruturalmente incapazes de dialogar profundamente com a medicina tradicional. Ao tentar enquadrar o xamanismo e a cosmologia Yanomami em planilhas do Excel e protocolos de "saúde mental", a organização corre o risco de praticar violência simbólica, reduzindo o conhecimento ancestral a meros coadjuvantes na eficácia da biomedicina.

Recife, 18 de dezembro de 2025
renato.athias@ufpe.br
CV: http://lattes.cnpq.br/3820775754333816



segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Entre memórias e conquistas, os 50 anos de Nova Fundação um tributo à resistência

 

Nova Fundação 1978 dia do batismo em massa entre os Hupd'äh - Dom Miguel pode ser visto no centro da fotografia.

A comunidade de Nova Fundação celebrou recentemente cinco décadas de existência, marcando a história do povoado fundado em 1974 entre os Hupd'äh, às margens do Igarapé Cucura, no médio Rio Tiquié. O nome, Nova Fundação, revelara na ocasião o espírito inovador dos missionários ao implantarem estratégias distintas e mais eficazes, em contraste com as experiências anteriores nas fundações de Fátima (do Tiquié) e Serra dos Porcos – ambas criadas dez anos antes. Como me confidenciou o padre Afonso Casasnovas: objetivo era superar os traumas de abordagens passadas, como a frustrada implementação da política de "colonos" que resultou na construção da Estrada ligando Boca da Estrada, no Rio Tiquié, a Iauareté, no Uaupés, no final dos anos 1950.

Rememorar é reviver: a fotografia acima, registrada em 1978, eterniza o antigo local de Nova Fundação, próximo ao Igarapé Anta, onde tudo começou. Atualmente, o povoado se encontra mais próximo do Rio Tiquié, junto à ponte do Igarapé Cucura, quase invadindo os limites tradicionais do Cucura dos Desana. É nessas águas e terras que o tempo corre, e as histórias se cruzam.

O evento retratado na imagem foi um dia de batismo em massa dos Hupd’äh de Nova Fundação, conduzido pelo bispo Dom Miguel Alagna, figura bem no centro da fotografia. Sua presença lá também tinha um propósito doloroso: comunicar aos três voluntários leigos espanhóis que trabalhavam entre os Hupd'äh, Maria do Rosário, João Paulo, sua esposa Rocio e suas filhas Fátima e Miriam – que, devido à repressão do governo militar, estavam sendo expulsos do Brasil. Na mesma conjuntura, antropólogos como Peter Silverwood-Cope, Kenneth Taylor, David Price, e o missionário italiano Vito Miracapilo também foram forçados a deixar o país, silenciando vozes de apoio e pesquisa entre os povos indígenas.

Amburu, Dipu, João Paulo, Fatima e Rocio com Miriam no seu colo, 1978

Naquele dia, não consegui conter minha indignação e confrontei Dom Miguel de forma veemente, deixando claro o quanto considerava aquilo um ato ultrajante e uma afronta aos direitos humanos. Era inaceitável que os Hupd'äh fossem obrigados a renunciar aos seus nomes autênticos, carregados de história e pertencimento ao seu clã, para serem substituídos arbitrariamente por nomes próprios e sobrenomes portugueses. Essa imposição absurda revivia em mim a memória amarga do que ocorreu em Portugal em 1497, quando centenas de judeus foram forçados a aceitar batismos em massa, recebendo nomes de “cristãos-velhos” e tendo suas identidades brutalmente apagadas.

Os alunos em 1978 e o professor Severiano Sampaio

Este jubileu de Nova Fundação é, também, a celebração dos 50 anos da Escola Cristo Libertador – a primeira escola entre os Hupd’äh do médio Tiquié. A trajetória da escola está intrinsecamente ligada a Severiano Sampaio, seu primeiro professor, que dedicou mais de um quarto de século à missão de educar e transformar vidas ao lado de Josefina sua esposa. O legado de Severiano permanece vivo e pulsante, ecoando nos sonhos de cada criança que cruzou o portal da Escola Cristo Libertador.

Entre memórias, despedidas e conquistas, os 50 anos de Nova Fundação ressoam como um tributo à resistência, à esperança e à educação, celebrando não apenas o passado, mas também o futuro de um povo que segue tecendo sua identidade à beira dos rios amazônicos.




Sobre as escolas e professores Hupd'äh ler o seguinte texto:

Renato Athias

Oralidade e prática de ensino entre os professores Hupd'äh da região do Alto Rio Negro


quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

O que o Museu deve a Carlos Estevão


 O QUE O MUSEU DEVE A CARLOS ESTEVÃO


NÃO faz muito tempo passou por Belém um jornalista do “Correio da Manhã”. Dirigia-se à Norte América como enviado especial daquele grande órgão da imprensa brasileira. Nos poucos dias que permaneceu nesta capital, o jornalista fez várias visitas, e entre estas, uma ao Museu Paraense Emílio Goeldi. Nesse estabelecimento, que é um instituto científico, o confrade carioca conversou com o diretor a quem conferiu o título de doutor, e dando à palestra a forma de entrevista, enviou-a ao seu jornal numa peça bem escrita, que o conhecido diário estampou na sua edição de 27 de julho último. É estranhável que, em tal assunto, não se faça a mais leve referência ao derradeiro diretor do Museu, o saudoso e ilustre cientista Carlos Estevão. Não é a primeira vez que assim acontece. Ha o indisfarçável empenho de apagar ou obscurecer a obra daquele esforçado batalhador. Qual o intuito desse propósito? Não será fácil atinar. Entretanto, Carlos Estevão trabalhou tenazmente, durante quase 15 anos, pelo engrandecimento da casa cuja direção lhe foi entregue em 1930 pelo sr. Magalhães Barata. Quem visitou o Museu durante a direção do grande apaixonado das coisas da Amazônia, poderá bem julgar a sua obra. A falta de técnicos que a entrevista a que estamos nos reportando faz ressaltar, não é de hoje, e o problema seria resolvido por Carlos Estevão, se a sua saúde já não andasse tão abalada. No momento não seria possível importar cientistas que tais. E o então diretor, já hoje quase esquecido, tinha a intenção de formá-los no próprio Museu, com gente moça e capaz. Assim, enviou ao Ceará duas das suas funcionárias para que se especializassem em Piscicultura, uma das quais seguiu, posteriormente, até ao Rio, obtendo ótima classificação em concurso em que se inscreveu.

Duas outras fizeram o seu curso com o muito notável etnólogo Curt Nimuendajú. Outras duas deveriam partir para o Rio e São Paulo afim de fazer cursos de especialização. Para ampliar os trabalhos que dirigia, Carlos Estevão pediu ao governo o aumento do quadro dos funcionários com a criação dos cargos de chefes de geologia, botânica e zoologia. Auxiliares competentes e dedicados, como os drs. Raimundo Dias e Rubens Lima, foram obrigados a afastar-se por algum tempo do Museu, o que fizeram com a intenção de voltar. Mas, a maldade humana mudou o rumo das coisas, e outros auxiliares também se retiraram e, como aqueles, não mais regressaram. Foi no Museu de Carlos Estevão que nasceram as primeiras experiências, e que se realizaram os primeiros estudos para a cultura do pirarucu, e foi de lá que partiram os primeiros alevinos, que o então presidente Getúlio encontrou e admirou adultos nos açudes do nordeste. O sistema de lagos existente no Museu para criar peixes, é realização de Carlos Estevão. Da dedicação de Rubens no Horto Botânico e de Emília Dyer no orquidário pôde dar testemunho o sr. Felisberto de Camargo, que os chamou para o Instituto Agronômico, assim que soube do seu afastamento do grande parque científico.
Um curso de entomologia criado na direção de Carlos Estevão, não pôde ser concluído, apesar de adiantado, por isso que o professor que o ministrava foi transferido para a Capital Federal. Infelizmente, o mais grandioso plano de Carlos Estevão para dotar esta terra de um Museu digno dela, plano gigantesco, não foi possível levar a efeito. Era a construção de um edifício suntuoso e apropriado, que encheu de admiração o arquiteto, que lhe desenhou a planta, que deve estar exposta em uma das salas onde pôde ser vista. Nesse palácio encantado haveria dois Museus: — um para o cientista, e outro para o público. Em galerias seriam instaladas as salas de geologia, a terra; a seguir a de botânica, as plantas; depois, a de zoologia, os animais; e finalmente a de etnologia, o homem. Carlos Estevão teria realizado esse seu grande sonho, pois o governo federal faria erguer o edifício, se não fossem os entraves trazidos pela guerra.

Em 1930 passou por esta cidade, a bordo do “Almirante Jaceguai”, um cientista de alto renome, o dr. Olivério Mário de Oliveira Pinto, assistente de zoologia do Museu Paulista. Este jornal, por intermédio de Alexandre Andrade, o entrevistou naquele transatlântico. Declarou o dr. Oliveira Pinto: “Minha impressão mais forte de naturalista, tive-a visitando pela primeira vez o Museu Goeldi.” Referiu-se, depois, ao que corria no Sul, isto é, que devido à crise da borracha, tinha o famoso estabelecimento sido atingido em cheio pela incúria ou malquerença dos governos. “Eis senão quando ao conhecê-lo de visu, tenho a grata surpresa de encontrá-lo redivivo e fundamentalmente reconstituído pela dedicação e zelo de dois devotos apaixonados na natureza, a cuja orientação e competência estão atualmente entregues os seus destinos”. Depois, assim se expressou: “Voltando naturalmente minha atenção em especial ás aves, passei a admirar não só a amplitude dos viveiros em que se acham, por assim dizer, em liberdade, exemplares do que o nosso mundo alado oferece de mais garrido e mais vistoso, mas ainda a profusão e variedade dos que vivem a salvo de qualquer artifício capaz de forçá-los ao cativeiro, empoleirando-se nos galhos e nidificando nas árvores, na mesma tranquilidade e segurança com que o fariam nos sítios para os quais os talhara a natureza”. Prosseguindo, o entrevistado falou nestes valiosos termos: “Recebido cordialmente pelos doutores Carlos Estevão e G. Hagmann, travei conhecimento com a sua preciosa biblioteca, onde fiz questão de admirar a celebre obra de Goeldi sobre a majestosa família dos tucanos, que sabia ali existir através de referências. A seguir deram-me aqueles distintos colegas a honra de conhecer os desenhos originais de uma iconografia dos mamíferos amazônicos, obra esplêndida, em curso de preparação. Ao sair dali, num dos bancos do jardim paradisíaco, em palestra amável, confiou-me o dr. Carlos Estevão os seus largos projetos de ampliação e aperfeiçoamento do Instituto que dirige. Já com os melhores recursos que lhe promete o governo, já com a aplicação inteligente das rendas que o mesmo produz”.

O Museu possui uma importante coleção de material africano que não sabemos se está exposta, doação do coronel José Júlio de Andrade por deferência a Carlos Estevão, que era guardada em duas montras, tudo etiquetado e relacionado (1939). Só em 1933, três anos apenas de direção, Carlos Estevão dotou o Museu de vários melhoramentos e reformas, como abrigo dos quadrupedes, tanques das lontras, aquário, viveiros de plantas, gaiola das feras, tanque do jacaré grande, gaiolas dos mutuns, roedores e maracajás, ninhos para garças, gaiola das araras e urubus, obras na biblioteca, caixas para peixes, muros das av. Independência, Gentil Bittencourt e trav. 9 de Janeiro, etc. etc. etc.. Não nos parece, pois, de justiça, que se tente esconder ou apagar o trabalho e o valor desse homem que tanto tinha de modesto como de sábio: Carlos Estevão de Oliveira.
Belém, PA. Folha Vespertina, 05/08/1946

Belém, PA, Folha Vespertina, 05/08/1946 

sábado, 27 de setembro de 2025

Os objetos, as coleções etnográficas e os museus

 

Por Renato Athias

Fotografia dos objetos da CECEO no Museu do Estado  de Pernambuco


Em um museu, as coleções são como janelas, cada uma contando uma história única através de objetos cuidadosamente selecionados e preservados. Imagine entrar em um espaço onde instrumentos científicos antigos, obras de arte magníficas, mobiliário histórico e uma infinidade de outros artefatos estão reunidos não apenas por sua beleza ou raridade, mas por seu significado profundo como patrimônio cultural.

Cada peça em uma coleção museológica é escolhida com critérios específicos, seja por seu tema, origem ou tipologia. Ao ser incorporada à coleção, ela transcende sua função original, deixando de ser um mero objeto para se tornar um testemunho vivo da história e da cultura. É como se cada item recebesse uma nova identidade, uma nova vida, destinada a ser estudada, preservada e exibida para as gerações presentes e futuras.

As coleções museológicas são formadas com objetivos claros: proteger, organizar, estudar e divulgar o patrimônio cultural. Cada objeto é um pedaço de um grande quebra-cabeça que, juntos, formam uma narrativa rica e complexa sobre cada uma deles. Ao reunir esses objetos, os museus não apenas preservam a história, mas também a reinterpretam e a compartilham de maneiras inovadoras e acessíveis. A diversidade é uma das características mais marcantes das coleções museológicas. De obras de arte renomadas a documentos históricos, de fotografias a artefatos cotidianos, cada item contribui para a riqueza e a profundidade da coleção. E é interessante notar que, ao serem incorporados às coleções, esses objetos ganham um valor imaterial, tornando-se "significantes perpétuos" que podem ser reinterpretados de maneiras diferentes ao longo do tempo.

Assim, as coleções museológicas não são apenas agrupamentos de objetos; são guardiãs da memória, da identidade étnica e da cultura. Elas nos permitem conectar com o passado, entender o presente e inspirar o futuro, desempenhando um papel crucial na preservação e celebração de  herança culturais.

As coleções etnográficas

Em uma jornada de descoberta e preservação cultural, antropólogos(as), museólogos(as), pesquisadores mergulham em comunidades vibrantes, buscando entender e documentar a riqueza de suas tradições e modos de vida. Através de entrevistas profundas e conversas informais com membros da comunidade, eles começam a desvendar as histórias e significados por trás de cada objeto, cada ritual e cada prática cotidiana.

À medida que participam das atividades diárias e rituais, observam detalhes que revelam a complexidade e a beleza da cultura local. Com base nessa imersão, selecionam objetos que não apenas representam, mas também contam a história da vida social e cultural desses grupos. Esses objetos são mais do que meras peças; são testemunhos vivos de uma herança que precisa ser preservada para as gerações futuras.

Uma vez coletados, esses objetos são cuidadosamente organizados em museus, centros de documentação e outras iniciativas culturais. O objetivo é duplo: preservar o patrimônio material e imaterial desses grupos e divulgar suas histórias para um público mais amplo. No brasil, existem diversas coleções etnográficas notáveis, formadas ao longo dos anos. Um exemplo destacado é a coleção etnográfica carlos estevão de oliveira, no museu do estado de pernambuco, que abriga milhares de peças da região amazônica, adquiridas entre 1908 e 1946.

No entanto, o trabalho não termina com a aquisição e preservação desses objetos. Um desafio importante é o mapeamento e a articulação dessas coleções com as comunidades produtoras originais. Essa conexão permite um diálogo enriquecedor e uma contextualização mais contemporânea dos objetos, garantindo que as histórias e significados atribuídos a eles sejam respeitados e valorizados. Ao fazer isso, podemos não apenas preservar o passado, mas também iluminar o presente e inspirar o futuro, celebrando a diversidade cultural que enriquece nossa sociedade.

Memória, cultura e o diálogo contemporâneo nas coleções etnográficas

Em sua essência, as coleções em um museu são mais do que meros agrupamentos de artefatos; elas funcionam como verdadeiras janelas para o passado, o presente e o futuro, tecendo uma história singular por meio de objetos cuidadosamente selecionados e preservados. Conforme explorado por mim, a coleção museológica transcende a função original de cada item, transformando-o em um "testemunho vivo" da história e da cultura. Cada peça, escolhida por critérios de tema, origem ou tipologia, recebe uma nova vida, destinada à preservação, estudo e divulgação, tornando-se um "significante perpétuo" com valor imaterial que pode ser reinterpretado ao longo do tempo. Assim, as coleções não apenas guardam o patrimônio, mas também o reinterpretam.

Coleções etnográficas é marcada por uma profunda imersão em comunidades vibrantes. Pesquisadores e curadores, através de entrevistas e observação atenta de rituais e do cotidiano, buscam desvendar as histórias e significados por trás de cada objeto. Os objetos selecionados, que representam a vida social e cultural desses grupos, são considerados testemunhos vivos de uma herança vital para o futuro.

Uma vez coletados, o objetivo é duplo: preservar o patrimônio material e imaterial e divulgar as histórias desses grupos a um público mais amplo. O brasil abriga coleções notáveis, como a coleção etnográfica carlos estevão de oliveira no museu do estado de pernambuco. No entanto, a tarefa não se encerra na aquisição; um desafio crucial é o mapeamento e a articulação dessas coleções com as comunidades produtoras originais. Essa conexão alimenta um diálogo enriquecedor e garante que os significados atribuídos aos objetos sejam valorizados, celebrando a diversidade cultural.

A discussão se aprofunda ao abordar as questões relacionadas aos objetos indígenas, especialmente os provenientes do alto rio negro, com foco nos  o texto visa debater a circulação dos artefatos, incluindo os chamados "objetos dos encantados" — seres não humanos com os quais os xamãs se comunicam. Esses itens, notadamente os de cunho ritual, integram um universo vasto onde suas diversas dimensões se relacionam com a organização social e a cosmologia de cada povo. Essa temática, que eu já havia denominado como os "objetos vivos" , está em pauta tanto no Brasil quanto no exterior, especialmente no tocante aos processos de patrimonialização e às demandas de restituição e repatriação promovidas pelos povos indígenas. A complexidade desse debate é intensificada pelo emaranhado de legislações nacionais que tratam do patrimônio imaterial. A reflexão se insere na discussão mais ampla sobre colecciones etnográficas, cosmopolíticas de la memoria y pueblos originarios del río negro en los museos , um campo que exige um diálogo interdisciplinar sobre patrimônio material e imaterial.

O tema da restituição ganha uma nova perspectiva com o artigo “coleções etnográficas, povos indígenas e repatriação virtual: novas questões, velhos debates”. Uma notícia sobre o desenvolvimento de um museu nacional do iraque completamente virtual pela google, com o objetivo de disponibilizar as imagens e ideias da civilização para todo o mundo, serviu de catalisador para pensar nas tecnologias que apoiam a devolução de objetos etnográficos. Eu procuro acompanhar essas tecnologias, ligando-as diretamente ao debate sobre a repatriação de objetos indígenas.

Nesse contexto, o capítulo “a ressignificação de um acervo com crescente colaboração dos povos indígenas” descreve as ações colaborativas para a documentação da coleção carlos estevão de oliveira, especificamente as chamadas restituições virtuais, evidenciando um modelo crescente de cooperação entre o museu e os povos indígenas.

Museus etnográficos: abordagens e perspectivas na contemporaneidade sugere a ampliação da pesquisa antropológica com base nas experiências com a ceceo. Outros trabalhos exploram a documentação, como o texto sobre o acervo etnográfico kapinawá da aldeia malhador: notas sobre documentação museológica, que visa a uma construção museal colaborativa para salvaguarda do acervo e preservação da memória kapinawá. Por fim, os “apontamentos etnomuseológicos sobre a casa de memória do tronco velho Pankararu” , em coautoria com alexandre gomes, apontam diretrizes para fortalecer a gestão indígena de espaços museológicos.

Essas abordagens contemporâneas demonstram que, dos museus etnográficos às etnografias dos museus: o lugar da antropologia na contemporaneidade, a preocupação com as narrativas expográficas e o que elas contam a um público distante sobre a cultura de outros povos é uma questão que ressoa desde os tempos de franz boas, exigindo constante reflexão e diálogo.

Capítulos de livro publicados:

Povos Indígenas, objetos xamânicos e os museus

O presente texto tem como objetivo discutir questões relacionadas aos objetos indígenas e sua circulação, abordando também os chamados "objetos dos encantados", seres não humanos com os quais os xamãs estabelecem comunicação, e os artefatos ancestrais. A análise se concentra em objetos provenientes da região do alto rio negro, que historicamente despertaram interesse entre pesquisadores das áreas de etnologia, museologia e patrimônio cultural dos povos originários, dentro das concepções contemporâneas de culturas materiais e imateriais. Capítulo publicado no livro: iby: arte e terra indígena organizado por Bartira Ferraz Barbosa e Tatiana Ferraz

Acervo etnográfico Kapinawá da aldeia Malhador: notas sobre documentação museológica

O objetivo deste artigo é debater atividades desenvolvidas em pesquisas de campo realizadas em 2018 e 2019 na aldeia malhador, tendo em vista a documentação museológica de acervos etnográficos. Trata-se de evidenciar a importância de uma construção museal colaborativa, visando à salvaguarda, à sistematização e ao monitoramento de informações do acervo etnográfico do povo indígena kapinawá, no sertão pernambucano.  Além disso, busca-se verificar como o processo da preservação da memória desse povo e de suas coleções vem sendo realizado pela comunidade da aldeia malhador, mostrando quais aspectos estão relacionados à preservação e à conservação dos objetos, focando na participação comunitária e colaborativa para curadoria das peças e execução da conservação preventiva adaptada para a realidade dos recursos disponíveis. Patrimônio cultural, museus e direitos coletivos de minorias, 2024

Colecciones etnográficas, cosmopolíticas de la memoria y pueblos originarios del río negro en los museos

Este texto busca refletir sobre objetos e artefatos pertencentes aos povos indígenas da vasta região do alto rio negro, que sempre geraram interesse entre aqueles que por ali transitam, antropólogos, pesquisadores de museologia e estudiosos da cultura material e imaterial dessas comunidades. Em geral, todos esses objetos, especialmente os de cunho ritual, fazem parte de um universo muito mais amplo, onde as diversas dimensões de um objeto xamânico se relacionam, por meio de modelos próprios de compreensão, com a organização social e a cosmologia comuns a cada um desses povos.

Athias, renato. 2023. Coleções etnográficas, cosmopolítica da memória e povos indígenas do rio negro em museus. In, espina barrio, a.; corrêa, l.n.; e salvado, p.m. (orgs.), territórios, migrações e fronteiras na américa latina. Salamanca, ediciones universidad de salamanca, pp. 229-247. Isbn 978-84-1311-873-4

A ressignificação de um acervo com crescente colaboração dos povos indígenas

O referido texto é um capítulo do livro em comemoração dos 90 anos do museu do estado de pernambuco que apresenta as ações colaborativa sobre a documentação da coleção carlos estevão de oliveira com os povos indígenas. O capítulo mostra os detalhes destas ações que são na realidade restituições virtuais.

Tempo tríbio - museu do estado de pernambuco 1930-2020, 2022

Museus etnográficos: abordagens e perspectivas na contemporaneidade

A cultura assume uma dimensão central na compreensão das diversas linguagens que os indivíduos e os grupos sociais desenvolvem na atualidade, exigindo, sobretudo, um entendi- mento mais aprofundado não só́ do material, mas também dos objetos etnográficos expostos em museus. A partir dessas dimensões assinaladas acima, existe claramente uma disposição e uma possibilidade da ampliar a pesquisa antropológica nos referidos campos disciplinares que estão relacionados, principalmente, aos objetos de coleções etnográficas nos museus. Nesse sentido, este texto explora as potencialidades de investigações existentes nesses museus com base nas experiências realizadas nos últimos anos com os objetos da coleção etnográfica carlos estevão de oliveira (ceceo) do museu do estado de pernambuco.

A antropologia na esfera pública: patrimônios culturais e museus, 2019

Entre máscaras, maracás, imagens, e objetos xamânicos em museus

Este texto visa apresentar alguns elementos para um debate sobre objetos xamânicos, objetos do mundo dos encantados, que se encontram pratrimonializado em instituições museais. Essa discussão não é nova –, em outro texto chamei de objetos vivos –, e já está em pauta faz algum tempo tanto no brasil quanto no exterior (athias, 2016a), principalmente no tocante aos estudos sobre história dos deslocamentos de objetos etnográficos para museus, e, sobretudo, relacionados a processos de patrimonialização, fazendo eco também com as principais demandas de restituição, repatriação, que estão sendo discutidas, promovidas pelos povos indígenas. Algumas delas com maior sucesso, outras, no entanto, ainda se discute sua viabilidade num emaranhado de legislações nacionais que tratam de patrimonialização, em uso nos museus, de objetos indígenas for- temente relacionados ao patrimônio imaterial de um determinado povo indígena. Vale assinalar que, ao longo do último meio século, mudanças na política cultural e nas realidades acadêmicas nas américas e europa contribuíram para uma reorientação significativa na representação museológica da diferença.

Coleções etnográficas, povos indígenas e repatriação virtual: novas questões, velhos debates

Uma notícia do new york times em 2009 me chamou a atenção e me instigou a pensar mais sobre a questão. Durante uma conferência de imprensa em bagdá, eric schmidt, ceo da google, informou na ocasião que sua empresa estava desenvolvendo importante projeto no iraque, ou seja, um novo museu nacional do iraque completamente virtual, criando imagens das coleções cruciais do museu e colocando-as online4. A frase que ele usou nessa conferência de imprensa foi: “não consigo pensar em melhor uso do nosso tempo e dos nossos recursos do que fazer com que as imagens e ideias da sua civilização estejam disponíveis para todas as pessoas do mundo”. Evidentemente fiquei alegre com esta notícia, pois há alguns anos, em vários lugares do planeta, temos discutido não só essas possibilidades virtuais, mas também o apoio de tecnologias que permitam a devolução de objetos etnográficos. De lá para cá, sempre que posso, tenho acompanhado as tecnologias que permitem desenvolver museus e exposições virtuais – atividade que venho expandindo, como o fato de os objetos da ceceo estarem intimamente relacionados ao debate sobre a repatriação de objetos indígenas para seus lugares de origem. Portanto, este texto procura levantar algumas questões que são fundamentais para o caso do brasil.

Apontamentos etnomuseológicos sobre a casa de memória do tronco velho Pankararu

Nos dias 12 e 13 de fevereiro de 2011 foi ministrada na aldeia brejo dos padres (tacaratu), nas dependências da escola ezequiel dos santos, a oficina diagnóstico participativo em museus indígenas. A atividade teve por objetivo discutir a estrutura e os fundamentos de espaços museológicos geridos por povos indígenas, a partir de princípios conceituais contemporâneos. Desta atividade foi produzido um diagnóstico museológico participativo, de caráter propositivo (gomes, 2011), que aponta diretrizes para fortalecer a gestão indígena da casa de memória. Neste capítulo, de caráter etnográfico e museológico, apontaremos elementos para um debate sobre os museus indígenas, com o objetivo de fomentar reflexões sobre a relação entre os processos de musealização e a patrimonialização de referenciais de cultura/memória protagonizados por povos indígenas, na esteira das atividades da casa de memória.  Em coautoria com Alexandre Oliveira Gomes

Objetos indígenas vivos em museus: temas e problemas sobre a patrimonialização

Este texto procura debater acerca das coisas, dos artefatos indígenas, dos objetos dos povos indígenas da região do alto rio negro, que sempre foram fonte de interesse de todos, não só dos pesquisado- res no âmbito da antropologia, mas também daqueles da museologia ou de estudos sobre cultura material e imaterial dos povos indígenas. Em geral, todos esses objetos e, especialmente aqueles de natureza ritualística, fazem parte de uma compreensão bem maior, onde as diversas dimensões de um objeto xamânico pode ser percebido dentro de modelos próprios que estão relacionados principalmente à organização social e a um entendimento cosmológico comum a cada povo dessa imensa região. No contexto indígena, esses objetos estão localizados e nomeados e se manifestam nas práticas xamânicas específicas de cada grupo das famílias linguística tukano, arawak e nadahupy.

Dos museus etnográficos às etnografias dos museus: o lugar da antropologia na contemporaneidade

 Este texto foi elaborado a partir de questões colocadas em simpósios internacionais (último realizado na 29 RBA em Natal) que merecem a atenção quando discutimos coleções de objetos e museus etnográficos. Esses eventos têm possibilitado avançar nessas questões que estão sendo postas de forma bem aberta por inúmeros antropólogos que participam desses eventos. Um número significativo de antropólogos e museólogos estão preocupados com as narrativas expográficas em museus etnográficos. O que essas narrativas contam para um público distante a respeito da cultura de outros povos, muitas vezes muito longe dos lugares onde esses museus estão abertos e recebendo um público diverso. Questão pautada por cada exposição de objetos etnográficos que se inauguram. Aliás, essa questão vem sendo posta por Franz Boas desde 1907 quando publicou Alguns princípios de administração em museus. Em coautoria com Manuel Ferreira Lima Filho 

Os objetos, as coleções etnográficas e os museus

O estudo de objetos e coleções tem, cada vez mais, expressado a necessidade de um diálogo interdisciplinar, sobretudo com as questões referentes ao patrimônio material e imaterial. Nesse sentido, a cultura assume uma dimensão central na compreensão das diversas linguagens que os indivíduos, e grupos sociais, desenvolvem na atualidade, exigindo, sobretudo, um entendimento mais aprofundado sobre o material e sobre os objetos etnográficos expostos em coleções etnográficas. e sobre os objetos e as coleções etnográficas que fazem parte de acervos museológicos, tendo como pano de fundo a Coleção Etnográfica Carlos Estevão, pertencente ao acervo do Museu do Estado de Pernambuco.

ATHIAS, R.  Os Objetos, as Coleções Etnográficas e os Museus. In: Angel Espina Barrio, Antonio Motta, Mário Hélio Gomes. (Org.). Inovação Cultural, Patrimônio e Educação. 1ed.Recife: Massagana, 2010, v. , p. 303-312.









domingo, 1 de junho de 2025

Colecciones etnográficas, cosmopolíticas de la memoria y pueblos originarios

 



"Colecciones etnográficas, cosmopolíticas de la memoria y pueblos originarios del río Negro en los museos", de Renato Athias, publicado no livro Territorios, migraciones y fronteras en Iberoamerica organizado por Angel B. Espina Barrio, Luiz Nilton Corrêa e Pedro M. Salvado, uma publicação  das Ediciones Universidad de Salamanca, 2023.


O capítulo "Colecciones etnográficas, cosmopolíticas de la memoria y pueblos originarios del río Negro en los museos", de Renato Athias (2023), publicado no livro Territorios, migraciones y fronteras en Iberoamerica uma publicação das Ediciones Universidad de Salamanca, representa uma contribuição inovadora para o campo da antropologia, museologia e estudos sobre patrimônio cultural. O texto examina as coleções etnográficas dos povos indígenas do Alto Rio Negro, abordando suas dimensões cosmológicas e sociopolíticas, com ênfase na relação entre objetos rituais e as formas de organização social e cosmologia desses povos.

Vinculado ao atual projeto de pesquisa do autor: Povos Indígenas, Restituição, Antropologia Visual e a Gestão Compartilhada de Coleções Etnográficas. A originalidade do capítulo reside na articulação entre pesquisa etnográfica, análise de coleções museológicas e o ativismo indígena, revelando a relevância de tais objetos não apenas como testemunhos materiais, mas como agentes de memória e identidade cultural. 

A pesquisa conduzida pelo autor se destaca por mapear coleções etnográficas em museus europeus e norte-americanos, proporcionando um panorama detalhado sobre a dispersão desses acervos e suas implicações para os povos originários. Esse mapeamento, resultado de um pós-doutorado financiado pela CAPES e apoiado também por sua bolsa de produtividade, é um avanço significativo na restituição virtual (conceito elaborado pelo autor em 2016), material desses objetos etnográficos às comunidades indígenas.

Outro aspecto inovador do trabalho é sua conexão com o projeto do Museu Virtual dos Povos Indígenas do Alto Rio Negro, uma iniciativa desenvolvida em São Gabriel da Cachoeira, em colaboração com lideranças e curadores indígenas. Esse projeto visa ressignificar narrativas museológicas, descolonizando a história dos objetos ao substituir discursos colecionistas por relatos indígenas sobre suas próprias tradições e experiências históricas. Além disso, o capítulo se insere em uma linha de pesquisa mais ampla que envolve acadêmicos e estudantes em temas como restituição de bens culturais, antropologia visual e gestão compartilhada de coleções etnográficas.

O impacto do trabalho do autor se evidencia em múltiplos âmbitos. Na esfera acadêmica, sua produção tem sido referência para estudos sobre coleções indígenas, contribuindo para debates em congressos internacionais e na formação de estudantes no bacharelado em Museologia da UFPE. No cenário global, sua atuação como vice-presidente da Comissão de Museus e Patrimônio Cultural da IUAES resultou no lançamento de uma Task-Force no congresso da World Anthropological Union (WAU), Johanesburgo 2024, com o objetivo de desenvolver mecanismos administrativos e legais que apoiem as reivindicações indígenas em relação as restituições e repatriação de objetos etnográficos.

Assim, este capítulo não apenas amplia o conhecimento sobre as coleções etnográficas do Alto Rio Negro, mas também promove um modelo inovador de pesquisa colaborativa e ativismo acadêmico, fortalecendo o protagonismo indígena na construção de novas narrativas museológicas e patrimoniais.